Modelo de Notificação Extrajudicial Obrigação de Fazer: Guia com Exemplo e FAQ
Baixe modelo de notificação extrajudicial obrigação de fazer em Word. Guia completo: o que é, diferença da judicial, quando usar, como preencher, validade, testemunhas, registro em cartório e FAQ.

Este guia reúne um modelo de notificação extrajudicial obrigação de fazer editável, explica quando esse documento se torna indispensável e orienta o preenchimento correto de cada campo. A partir de exemplos reais, tabelas comparativas e respostas diretas às dúvidas mais comuns, você terá todos os elementos para preparar um comunicado formal que constitua oficialmente a mora do devedor e resguarde seus direitos, sem precisar ingressar de imediato na via judicial.
O que é a notificação extrajudicial obrigação de fazer?
A notificação extrajudicial para exigir uma obrigação de fazer é o instrumento pelo qual uma pessoa comunica formalmente a outra que determinada conduta — contratada e ainda não cumprida — precisa ser executada em um prazo razoável. Ela constitui o devedor em mora, ou seja, registra oficialmente o atraso, e serve como prova de que o credor tentou resolver o impasse de forma direta antes de submeter a questão ao Judiciário.
Para que serve essa comunicação pré‑processual
Enviar o comunicado administrativo atende a três objetivos práticos:
- Constituir em mora o responsável pela prestação, o que é requisito para várias medidas judiciais posteriores.
- Documentar a cobrança, demonstrando que houve tentativa de solução amigável.
- Abrir a última oportunidade de cumprimento voluntário, evitando os custos e a demora de um processo.
A eficácia do documento não está no formato, mas na capacidade de provar que a parte contrária tomou ciência da exigência e do prazo estabelecido.
Exemplos comuns do dia a dia
Para enxergar a utilidade, imagine três situações reais:
- Um empreiteiro assinou contrato para concluir a reforma de um apartamento até 5 de março. No dia 20 de março a obra continua inacabada. O proprietário envia a notificação, fixa novo prazo e alerta sobre as consequências do descumprimento.
- Um consultor de marketing digital recebeu metade do valor adiantado para entregar um plano estratégico em 15 dias. Passados 40 dias o relatório não foi apresentado. A notificação formaliza a cobrança e interrompe novas expectativas infundadas.
- Um buffet contratado para um evento não comparece, deixando os contratantes sem serviço. A notificação registra a falta e estabelece a base para ressarcimento posterior.
Em todos esses casos, o documento transforma o atraso em mora comprovada e prepara o terreno para uma eventual ação de obrigação de fazer com pedido de tutela específica.
Notificação extrajudicial ou judicial: qual a diferença e quando usar cada uma?
Antes de redigir qualquer documento, é essencial saber que existem dois caminhos com pesos e propósitos bem distintos. A tabela a seguir organiza as principais diferenças, facilitando a decisão:
| Aspecto | Notificação Extrajudicial | Notificação Judicial |
|---|---|---|
| Quem emite | O próprio interessado, representante legal ou procurador | O juiz, dentro de um processo já ajuizado |
| Momento | Antes da ação judicial, como passo pré‑processual | Após a propositura da ação, na fase de citação |
| Custo | Apenas as despesas de envio (Correios, cartório) | Custas processuais, honorários advocatícios |
| Tempo | Imediato, conforme o meio de transmissão escolhido | Depende da tramitação judicial, geralmente mais lento |
| Força jurídica | Constitui em mora e comprova a tentativa de solução amigável | Ordem judicial coercitiva, passível de execução forçada |
| Quando é indicada | Ainda há possibilidade de cumprimento voluntário; o contrato exige notificação prévia | A parte contrária se recusa a cumprir ou a situação já se tornou litigiosa |
Como decidir pelo melhor caminho
Uma regra prática: se existe canal de diálogo e você deseja resolver rapidamente sem envolver o Judiciário, comece sempre pela notificação extrajudicial. Ela é mais barata, rápida e, se bem documentada, fortalece sua posição caso depois seja necessário ingressar com a ação. Já a via judicial é o passo seguinte quando a notificação amigável não surte efeito ou quando o descumprimento já é incontroverso e exige a força do Estado para compelir a parte devedora.
Erro comum: muitos credores pulam a comunicação administrativa e ajuízam a ação imediatamente, perdendo a chance de demonstrar boa‑fé e, em alguns contratos, deixando de cumprir cláusula que exige notificação prévia para a rescisão. Essa falha pode atrasar a concessão de liminares e até gerar questionamentos processuais.
Quando é recomendável enviar uma notificação extrajudicial para obrigação de fazer?
A notificação não é um mero aviso: ela documenta a inadimplência e concede um último prazo para o cumprimento espontâneo. Use‑a sempre que existir uma obrigação de fazer clara, líquida e descumprida, e que você queira preservar a relação contratual ou, pelo menos, as provas do descumprimento.
Situações em que a notificação é a melhor ferramenta
- Atraso na entrega de imóvel comprado na planta.
- Serviço profissional contratado que não é executado (arquitetura, contabilidade, consultoria).
- Obrigação de fazer prevista em contrato que o contratante simplesmente ignora.
- Prestador que recebeu pagamento e não iniciou o serviço.
- Descumprimento de cláusulas específicas, como a realização de manutenção periódica, pintura, instalação de equipamentos, etc.
Em qualquer desses cenários, a comunicação formal comprova que você tentou resolver a pendência pela via administrativa, o que é visto com bons olhos pelos juízes e evita a alegação de que a parte contrária foi surpreendida com o processo.
O que a lei exige para a constituição em mora
De acordo com o Código Civil, a mora do devedor pode ser constituída por interpelação judicial ou extrajudicial. Em outras palavras, a lei reconhece expressamente que um comunicado feito fora do processo — desde que comprovadamente recebido — tem o mesmo efeito inicial de oficializar o atraso. Assim, quando a notificação chega ao destinatário, os efeitos da mora começam a contar: o devedor passa a responder por perdas e danos, e eventuais multas contratuais podem ser exigidas.
Base legal e fundamentos jurídicos
O principal amparo está nos artigos 397 e 726 do Código Civil. O primeiro disciplina que a mora se constitui mediante interpelação, seja judicial, seja extrajudicial. O segundo trata da notificação em geral, confirmando que ela pode ser feita pelo tabelião ou por qualquer outro meio idôneo que permita comprovar o recebimento.
Esses dispositivos não impõem forma rígida: a notificação pode ser redigida em linguagem comum, em papel simples, sem firma reconhecida. Porém, a sua força probatória cresce conforme a qualidade da prova de que o destinatário a recebeu. Por isso, mencionar os artigos (sem transcrevê‑los integralmente) reforça a seriedade do documento e demonstra conhecimento da base legal.
Para obrigações de fazer personalíssimas — aquelas que dependem exclusivamente da pessoa do devedor, como uma consultoria de um especialista renomado — a legislação veda a execução forçada por terceiro. Nesses casos, a notificação serve para documentar o descumprimento e viabilizar a conversão em perdas e danos, um ponto que muitas orientações genéricas deixam de explicitar.
Quem pode enviar e quais são os elementos essenciais da notificação
Qualquer titular do direito — pessoa física, empresa, representante legal ou procurador com poderes específicos — pode preparar e enviar o documento. Não é obrigatório contratar um advogado, mas o auxílio profissional ajuda a evitar imprecisões que podem enfraquecer a prova.
Checklist dos campos obrigatórios
A tabela abaixo resume o que não pode faltar. Use‑a como guia de conferência antes do envio:
| Campo | O que preencher | Exemplo resumido |
|---|---|---|
| Qualificação do notificante | Nome completo, CPF/CNPJ, endereço, e‑mail | João da Silva, CPF 000.000.000‑00, Rua X, nº 123 |
| Qualificação do notificado | Idem para o devedor | Empresa Y, CNPJ 00.000.000/0001‑00, sede… |
| Descrição da obrigação de fazer descumprida | Detalhes precisos do que foi contratado e do que não foi executado | Pintura completa do imóvel conforme cláusula 3.2 do contrato |
| Fundamento contratual ou legal | Menção ao contrato, pedido, orçamento ou artigos aplicáveis | Contrato de Prestação de Serviços nº 456, arts. 397 e 726 do CC |
| Prazo para cumprimento | Dias corridos ou úteis, contados do recebimento | 15 (quinze) dias corridos |
| Advertência sobre consequências | Ações judiciais, rescisão, perdas e danos, multa contratual | Ação de obrigação de fazer com multa diária e perdas e danos |
| Local, data e assinatura | Cidade, data da emissão, assinatura manual ou eletrônica válida | São Paulo, 20 de março de 2026 |
Opcionais que fortalecem a prova: firma reconhecida, duas testemunhas, registro em cartório (tabelionato). Nenhum desses itens é exigido para a validade, mas são recomendados quando o valor envolvido é alto ou quando se antecipa resistência da outra parte.
Como preencher o modelo de notificação: passo a passo
Um modelo genérico só se torna eficaz quando cada espaço reservado é substituído por informações reais, completas e sem abreviações. Siga as orientações abaixo para evitar os equívocos mais comuns.
Qualificação completa: o primeiro passo para afastar questionamentos
Preencha o campo do notificante com todos os dados que permitam identificar inequivocamente o credor. Em vez de “João, engenheiro”, escreva:
João da Silva, brasileiro, engenheiro civil, portador do CPF 000.000.000‑00, residente e domiciliado na Rua das Acácias, nº 123, apto. 45, Centro, São Paulo/SP, CEP 01000‑000, endereço eletrônico joao.silva@email.com.br.
Quanto mais detalhado, menor a chance de a parte contrária alegar desconhecimento ou homônimo.
Descreva a obrigação descumprida com precisão cirúrgica
Evite frases vagas como “fazer o serviço combinado”. Se o contrato previa a pintura completa do imóvel, informe:
Realizar a pintura completa do imóvel situado no endereço …, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços firmado em 10 de fevereiro de 2026, item 3.2, abrangendo todas as paredes internas, teto e esquadrias, serviço que não foi executado até a presente data.
Isso elimina margem para interpretação e mostra que a cobrança é específica e rastreável.
Defina um prazo razoável e as consequências do descumprimento
O prazo deve ser compatível com a natureza da obrigação. Para serviços simples, 15 dias corridos costumam ser suficientes; para obras complexas, 30 ou 60 dias podem ser mais adequados. Na advertência, inclua as medidas que poderão ser adotadas caso o prazo não seja respeitado, por exemplo:
Na hipótese de descumprimento, serão adotadas as providências judiciais cabíveis, como ação de obrigação de fazer cumulada com pedido de tutela específica e fixação de multa diária (astreintes), além da cobrança de perdas e danos e da multa contratual prevista, tudo com fundamento nos artigos 397 e 726 do Código Civil.
Formas de envio e como comprovar o recebimento
A validade jurídica da notificação está diretamente ligada à capacidade de demonstrar que o destinatário a recebeu. A tabela a seguir compara os principais meios de envio e seu grau de segurança probatória.
| Meio de envio | Como comprovar | Força probatória | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Carta com Aviso de Recebimento (AR) – Correios | Assinatura do destinatário no AR devolvido | Alta | Primeira opção, segura e amplamente aceita |
| Notificação via tabelionato (cartório) | Certidão lavrada pelo tabelião, que se desloca ao endereço | Muito alta | Casos de alto valor, risco de contestação ou para máxima segurança |
| E‑mail com confirmação de leitura | Registro de leitura ou resposta que demonstre ciência | Média | Relações comerciais digitais, quando o contrato admite comunicação eletrônica |
| WhatsApp com confirmação de leitura ou resposta | Duplo check azul ou mensagem de resposta | Média‑baixa | Somente se não houver outro meio; exige prova robusta complementar |
Erro frequente: acreditar que o simples comprovante de envio (imagem de tela de e‑mail ou de mensagem) é suficiente. Sem a prova do recebimento efetivo ou da leitura inequívoca, a notificação pode ser considerada inócua em juízo. Por isso, sempre que possível, opte pelo AR ou pelo cartório; o custo adicional é pequeno perante o risco de ver o documento desconsiderado.
Perguntas frequentes sobre a notificação extrajudicial
A notificação precisa de testemunha?
Não. A testemunha é facultativa e não constitui requisito de validade. Se utilizada — duas pessoas que possam confirmar a entrega ou a elaboração do documento —, a prova se torna mais robusta, mas a ausência não prejudica a eficácia, desde que haja outro meio de comprovação do recebimento, como o AR ou a certidão do tabelião.
A notificação enviada por WhatsApp tem validade?
Sim, desde que exista prova inequívoca de que o destinatário recebeu e tomou ciência do conteúdo — confirmação de leitura, duplo check azul ou uma resposta que demonstre conhecimento. No entanto, a força probatória é menor que a da carta com AR ou do cartório, porque esses meios podem ser mais facilmente questionados quanto à autenticidade e à integridade da mensagem.
É obrigatório registrar a notificação em cartório?
Não. O registro em tabelionato confere fé pública e transforma o documento em prova quase incontestável, mas a lei permite que a notificação seja feita por qualquer meio idôneo. A via cartorária é estratégica quando os valores são expressivos ou quando o notificante antecipa resistência acirrada da outra parte.
Posso enviar a notificação por e‑mail?
Sim, contanto que haja ferramenta de confirmação de leitura ou que o destinatário responda de modo a demonstrar que tomou ciência. O simples envio, sem retorno, tem valor probatório reduzido, pois não prova o efetivo conhecimento. O ideal é que o contrato ou a comunicação anterior já tenham estabelecido o e‑mail como canal válido, o que reforça a validade do envio.
Qual o prazo adequado para cumprimento?
O prazo é definido pelo notificante e deve ser razoável, considerando a complexidade da obrigação. O mais usual é 15 dias corridos a partir do recebimento da notificação. Para entregas de obras, relatórios técnicos ou serviços que exigem tempo considerável, prazos de 30 ou 45 dias podem ser mais justos e melhor aceitos judicialmente. O fundamental é que o período concedido não seja tão exíguo que inviabilize o cumprimento.
O que fazer se a obrigação não for cumprida após a notificação?
Com o prazo vencido e a obrigação ainda descumprida, a notificação servirá como peça central para instruir uma ação judicial. Você poderá ingressar com ação de obrigação de fazer, pedindo tutela específica (execução forçada) e, quando cabível, a fixação de multa diária (astreintes) para pressionar o cumprimento. O documento também respalda a cobrança de perdas e danos e a aplicação de cláusulas penais contratuais.
O modelo oferecido é gratuito?
Sim. O modelo de notificação extrajudicial obrigação de fazer disponível nesta página pode ser baixado e utilizado sem qualquer custo. Basta preencher os campos com os dados da sua situação e enviar pelo meio escolhido.
Modelo de Notificação Extrajudicial Obrigação de Fazer – Download Gratuito
O arquivo está em formato editável (Word, .docx), compatível com Microsoft Word e outros editores de texto. Cada seção traz instruções breves entre colchetes, para que você saiba exatamente o que inserir — desde a qualificação das partes até a advertência final. Após substituir as informações genéricas pelos dados reais da sua demanda, assine (manualmente ou com assinatura eletrônica validada) e faça o envio pelo meio que garanta a melhor comprovação de recebimento.
Baixe o modelo, adapte‑o e regularize a situação sem esperar que o atraso se transforme em um processo demorado. Se ainda houver dúvida sobre o preenchimento, retorne às seções anteriores, que detalham cada campo e as melhores práticas de envio.
Este guia é informação geral, não consultoria jurídica. As leis variam conforme o lugar e mudam com o tempo — para a sua situação, consulte um profissional habilitado.
