Termo de Revogação de Procuração: Definição, Requisitos e Modelo

Entenda o que é o termo de revogação de procuração, quando utilizá-lo, como preencher corretamente e quais são as exigências legais. Baixe um modelo pronto e tire suas dúvidas.

Pela equipe editorial da StarterLegal Atualizado 30 de agosto de 2026 9 min de leitura
Termo de Revogação de Procuração: Definição, Requisitos e Modelo

O que é o termo de revogação de procuração?

O termo de revogação de procuração é o documento específico que extingue os poderes de um representante. Por meio dele, o outorgante — quem concedeu a procuração — declara formalmente que o procurador não atua mais em seu nome. No entanto, assinar o termo não basta: a revogação só se torna eficaz quando o procurador é comunicado de maneira inequívoca.

Enquanto a notificação não ocorre, o procurador continua sendo visto como representante legítimo, e terceiros de boa‑fé podem confiar nessa aparência. A segurança jurídica depende, portanto, dessa etapa. Um exemplo comum: o proprietário que deixa um imóvel sob administração de terceiro durante uma viagem longa e, ao retornar, usa o termo de revogação e notifica o administrador para interromper imediatamente os poderes de gestão.

A armadilha da comunicação informal

Um erro frequente é acreditar que uma mensagem de WhatsApp ou um telefonema basta para encerrar a representação. Sem o documento escrito com firma reconhecida e a prova de recebimento pelo procurador, a revogação pode ser questionada e os atos praticados pelo procurador ainda vincularão o outorgante.

Diferenças entre revogação particular e pública

A formalidade da revogação varia conforme a natureza da procuração original. O Código Civil orienta que a revogação siga, sempre que possível, a mesma forma do ato que se pretende desfazer.

Revogação de procuração particular

A procuração particular é firmada em instrumento particular, geralmente com firma reconhecida. Para revogá‑la, elabora‑se um termo de revogação particular, com a firma do outorgante reconhecida por autenticidade em cartório, seguido da notificação ao procurador. Mesmo que a procuração original não tenha firma reconhecida, o reconhecimento por autenticidade na revogação é altamente recomendável: ele comprova a autoria e afasta alegações de falsidade.

Revogação de procuração pública

A procuração pública é lavrada por escritura em tabelionato e seus dados permanecem registrados. Sua revogação exige, em regra, que o termo de revogação também seja feito por escritura pública e averbado no mesmo cartório. Somente assim a revogação produz efeitos contra todos, inclusive terceiros que consultarem os registros.

Aspecto Procuração Particular Procuração Pública
Forma da procuração Instrumento particular, firma reconhecida (facultativa) Escritura pública, livro de notas
Forma de revogação Termo particular com firma reconhecida por autenticidade Escritura pública de revogação, averbada no mesmo cartório
Notificação Carta com AR, e‑mail com confirmação ou notificação extrajudicial Notificação ao procurador + averbação para eficácia contra terceiros
Registro cartorial Dispensável, mas pode ser feito para publicidade Obrigatório (registro e averbação)

Cenário prático: se um vendedor outorgou procuração pública a um corretor para vender um imóvel, a simples assinatura de um termo particular de revogação não impede que o comprador de boa‑fé considere o corretor ainda como representante. A revogação precisa constar do registro público.

Quando a revogação é necessária: cenários práticos

O termo de revogação é utilizado sempre que o outorgante deseja extinguir os poderes que concedeu. As situações mais comuns incluem:

  • Conclusão do negócio para o qual a procuração foi criada (ex.: venda de um veículo já concretizada).
  • Perda de confiança no procurador, abuso de poderes ou conflito de interesses.
  • Substituição do representante — quando se nomeia outro procurador, a anterior deve ser revogada para evitar dúvidas.
  • Desligamento de funcionário que detinha procuração da empresa (movimentação bancária, assinatura de contratos).

Decisão rápida: revogar ou não?

Se o negócio já se encerrou, revogue imediatamente. Manter uma procuração ativa sem necessidade é um risco gratuito. No caso de desligamento de um gerente financeiro, por exemplo, adiar a revogação pode permitir operações indevidas em contas bancárias, com prejuízos de difícil reparação.

Erro comum

Não revogar a procuração anterior ao nomear um novo procurador. A nova procuração não anula automaticamente a antiga. É preciso lavrar o termo de revogação e notificar o procurador substituído.

Quem pode revogar uma procuração?

Apenas o outorgante — a pessoa que originalmente concedeu os poderes — ou seu representante legal pode revogar. Se houver curatela, por exemplo, o curador judicialmente nomeado atua em nome do outorgante incapaz.

O procurador não tem legitimidade para revogar. Ele pode, contudo, renunciar ao mandato, o que constitui um ato jurídico distinto. A renúncia deve ser comunicada ao outorgante, e o procurador deve continuar atuando pelo tempo necessário para evitar prejuízos, salvo justo motivo.

Exemplo: uma pessoa idosa que, antes da curatela, havia outorgado procuração bancária a um terceiro. O curador, como representante legal, pode revogar aquela procuração por meio do termo adequado.

O Código Civil disciplina o contrato de mandato e a extinção da procuração. A regra central é a revogabilidade unilateral: o outorgante pode revogar a qualquer tempo, independentemente da vontade do procurador. A lei apenas ressalva o dever de indenizar se a revogação for injustificada e causar prejuízo comprovado — o que não impede a revogação, apenas gera a obrigação de reparar.

Procuração judicial (ad judicia)

Para procurações outorgadas a advogados, o Código de Processo Civil impõe uma etapa adicional: a revogação deve ser comunicada ao juízo onde tramita o processo. Sem essa comunicação, o advogado anterior continuará sendo intimado, e a parte pode sofrer graves prejuízos processuais.

O que a lei não diz expressamente, mas a prática exige: a notificação ao procurador e a terceiros é o que transforma a revogação em ato eficaz. A comunicação por meios que comprovem a entrega (AR, e‑mail com confirmação de leitura) é a blindagem mais segura.

Como preencher o termo de revogação corretamente

O preenchimento impreciso é uma das principais causas de questionamentos. Siga cada etapa com atenção.

Qualificação do outorgante e do procurador

Informe nome civil completo, nacionalidade, estado civil, profissão, número do RG, CPF e endereço residencial. Para o procurador, reproduza os dados com exatidão, mesmo que de forma resumida. Dados incompletos dificultam a identificação e a futura comunicação.

Identificação precisa da procuração original

Transcreva as informações exatamente como constam no documento anterior: data de outorga, cartório e, se pública, livro e folha, além da descrição resumida dos poderes conferidos. Exemplo: “Procuração pública lavrada em 10 de janeiro de 2024, no 5º Tabelionato de Notas de Campinas, livro 120, fls. 50, que concedia poderes para administração de bens imóveis e representação perante a Receita Federal.” Uma descrição vaga, como “procuração para administração”, enfraquece o instrumento.

Redação da cláusula de revogação

A cláusula deve ser expressa e sem condicionantes. Indique se a revogação é total ou parcial. Em caso de revogação parcial, liste com clareza quais poderes permanecem e quais se extinguem. Exemplo de redação simples: “Pelo presente instrumento, o outorgante revoga integralmente a procuração acima referida, cessando todos os poderes conferidos a partir da data da comunicação ao procurador.”

Reconhecimento de firma e notificação

Dirija‑se ao cartório com o documento preenchido e documento de identidade original com foto. Opte pelo reconhecimento de firma por autenticidade — o tabelião confirma que a assinatura foi feita em sua presença. Esse tipo de reconhecimento é o mais seguro, especialmente se a procuração original também o possuía.

Após a assinatura, notifique o procurador formalmente. O meio mais recomendado é carta com aviso de recebimento (AR) enviada ao endereço dele, ou e‑mail com confirmação de leitura. Guarde o comprovante de entrega e cópia do termo.

Item obrigatório Feito?
Qualificação completa do outorgante (nome, RG, CPF, estado civil, profissão, endereço)
Identificação da procuração anterior (data, cartório, poderes)
Cláusula expressa de revogação total ou parcial
Local e data da assinatura
Assinatura com firma reconhecida por autenticidade
Comprovante de notificação ao procurador (AR ou e‑mail com confirmação)
Para procuração pública: escritura pública de revogação averbada no cartório

O que não pode faltar no termo de revogação

Um termo de revogação de procuração válido reúne elementos mínimos de segurança. A ausência de qualquer um deles pode comprometer sua eficácia.

  • Qualificação completa do outorgante (nome, RG, CPF, estado civil, profissão, endereço).
  • Identificação precisa da procuração anterior (data, cartório, poderes conferidos).
  • Cláusula de revogação expressa, indicando se total ou parcial.
  • Local e data da assinatura.
  • Assinatura do outorgante com firma reconhecida por autenticidade.
  • Para procuração pública: termo de revogação lavrado por instrumento público e averbado no mesmo cartório.

Erro que compromete tudo

Esquecer de incluir o endereço do procurador ou anotá‑lo de forma incorreta. Isso pode inviabilizar a notificação e permitir que o procurador continue agindo como representante.

Perguntas frequentes sobre revogação de procuração

É possível revogar uma procuração por WhatsApp?

Não. O WhatsApp não substitui o documento formal de revogação. A lei exige instrumento escrito com firma reconhecida e notificação comprovável. Uma mensagem no WhatsApp pode, no máximo, complementar a comunicação, mas jamais servirá como meio exclusivo de revogação perante terceiros ou em juízo.

Precisa de testemunhas?

Não é obrigatório. Contudo, a presença de duas testemunhas que também assinem o documento fortalece a prova do ato, especialmente em procurações particulares e em disputas futuras.

Precisa registrar em cartório?

Depende. Se a procuração revogada for pública, sim: é necessário lavrar escritura pública de revogação e averbá‑la no mesmo cartório. Para procurações particulares, o reconhecimento de firma por autenticidade já é suficiente, sem necessidade de registro em livro de notas.

Qual o prazo para a revogação produzir efeitos?

A revogação produz efeitos a partir da comunicação ao procurador. Antes disso, ele continua autorizado e os atos praticados de boa‑fé podem vincular o outorgante. Para terceiros que negociavam com base na procuração, a eficácia só se dá após a notificação.

Posso revogar apenas parcialmente?

Sim. O termo pode extinguir apenas alguns poderes, mantendo outros. A cláusula de revogação deve descrever com clareza quais poderes permanecem e quais deixam de existir. Por exemplo, manter a autorização para receber correspondências e revogar os poderes bancários.

Precisa de advogado?

Não há exigência legal para procurações extrajudiciais. No entanto, o auxílio de um advogado é o caminho mais seguro quando a procuração original é complexa, envolve procuração pública ou há risco de litígio, pois ele orientará o preenchimento e a notificação adequada.

A revogação de procuração de advogado segue regras diferentes?

Sim. Na procuração judicial (ad judicia), além de notificar o advogado, é obrigatório comunicar o juízo. Sem essa comunicação processual, o advogado anterior continuará sendo intimado, com sérios reflexos no andamento do processo.

O que acontece se eu revogar sem avisar?

A revogação sem comunicação é ineficaz perante terceiros de boa‑fé. Isso significa que os atos do procurador que aparentar ainda ter poderes poderão ser considerados válidos e vincular o outorgante. Por isso, a notificação é a etapa que transforma a revogação em realidade jurídica.

Modelo prático: passo a passo para usar o termo de revogação

Antes de tudo: se a procuração original for pública, não adianta usar um modelo particular. Agende uma visita ao mesmo cartório onde ela foi lavrada e providencie a escritura pública de revogação com averbação. Para os demais casos, siga o roteiro.

  1. Baixe o modelo de termo de revogação e abra em seu dispositivo.
  2. Preencha seus dados completos (outorgante) e os do procurador: nome, RG, CPF, estado civil, profissão e endereço.
  3. Identifique a procuração anterior com precisão: data, cartório (se pública), livro, folha e poderes conferidos. Nada de “procuração genérica”.
  4. Redija a cláusula de revogação — total ou parcial. Se parcial, liste os poderes que permanecem.
  5. Imprima o documento e vá a um cartório com seu documento de identidade original. Solicite o reconhecimento de firma por autenticidade (assine na frente do tabelião).
  6. Notifique o procurador por carta com aviso de recebimento (AR) ou por e‑mail com confirmação de leitura. Guarde o comprovante de entrega e uma cópia do termo assinado.
  7. Se a procuração original for pública, agende no mesmo cartório a lavratura do instrumento público de revogação e providencie a averbação no registro correspondente.

Atenção: muitos cometem o erro de apenas reconhecer firma por semelhança, o que não basta para dar segurança à revogação. O reconhecimento por autenticidade é a forma mais robusta e recomendada.

Este guia é informação geral, não consultoria jurídica. As leis variam conforme o lugar e mudam com o tempo — para a sua situação, consulte um profissional habilitado.

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